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Capa da Revista Time de 01/mai/06
O Que os Médicos Odeiam Sobre Hospitais (dos EUA).
O que os Internos Sabem Sobre o Nosso Sistema de Saúde Que o Resto de Nós Precisa Saber (EUA)
Por NACY GIBBS, AMANDA BOWER
Postado Domingo, 23/04/06
I
Este é o enredo de um filme de vilão. Friedman teve que apelar para a comissão de diretores da OMS . “Eu disse, ´eu irei pagar pela minha própria mamografia. Apenas me deixem fazê-la´”. O seu apelo foi aceito e finalmente fez o teste. “Eles nem tiveram que fazer uma biópsia”, disse ela. O radiologista apenas olhou o exame e disse, ´oh, meu Deus!... você tem um câncer no seio´” .
O tratamento educativo de Lisa Friedman, paciente, tinha começado. Como muitos outros pacientes – e talvez mais – ela teve que arrancar com muita dificuldade as informações de seus médicos. “Eles me tratavam como uma especialista, mas não estavam me escutando”. Quando ela descobriu que o câncer tinha se espalhado por várias partes num seio, Friedman disse aos cirurgiões que não havia necessidade de preservar seu seio por razões cosméticas; ela estava mais preocupada em que o câncer fosse totalmente removido. Ela solicitou uma mastectomia – mas eles disseram que uma lumpectomia resolveria. “Eu aceitei”, ela disse. Este foi o seu segundo erro. Seu seio estava peneirado pelo tumores. “Eles acabaram fazendo três lumpectomias. Estavam cortando fora o meu seio até que eu fiquei sem seio algum. Então eu disse: ´poderiam me fazer o obséquio de arrancá-lo todo fora´”?
Os médicos de Friedman não eram incompetentes. Não operaram o seio errado, ou lhe deram os remédios errados ou cometeram qualquer erro médico rude – e esta é toda a questão. Enquanto existem maus médicos praticando uma má medicina e que permanecem desapercebidos, isto não é o que mais assusta os outros médicos. No entanto eles viram o sistema deformar-se ao longo dos anos, por medo de processo judicial, pelos custos dos seguros, pela competição crescente, pela encapelada burocracia e mesmo pelos aperfeiçoamentos na tecnologia que apresenta novos riscos mesmo a medida que eles reduzem os antigos. Então os médicos negam-se a fazer exames se eles não tiverem a absoluta certeza de que eles são necessários. Eles pesam a vantagem dos hospitais de ensino onde você provavelmente encontra o diagnosticador que é um gênio versus hospitais da comunidade onde você tem menos probabilidade de trazer para casa uma imunda infecção hospitalar. Eles evitam marcar cirurgias em julho, quando os novos médicos estão justamente iniciando seus estágios nos hospitais de ensino, mas reconhecem que os médicos mais velhos e experientes podem não estar atualizados sobre os melhores padrões de tratamentos.
A maioria dos médicos admite abertamente que eles fazem de tudo para que o sistema funcione. “Até quando valorizarmos a justiça, se você pode dar uma atenção especial para alguém que é importante para você... eu não conheço ninguém que não jogaria aquela carta”, diz Michael McKee, vice-presidente do setor de psicologia e psiquiatria da Clínica de Cleveland. Mas pergunte para os médicos sobre as suas experiências e ficará surpreso de quão pouco poder eles têm para dobrarem o sistema e fazê-lo funcionar de acordo com eles pensam ser o melhor.
Isto é uma ironia permanente do progresso. Existe a mais fantástica tecnologia que pode apontar a localização exata de um tumor, introduzir um pequeno cateter até o cérebro para abrir uma artéria obstruída, pulverizar uma pedra do rim sem romper a pele. Mas a coisa simples – como conseguir uma IRM (Imagem de Ressonância Magnética) a tempo, receber as drogas certas no momento certo, ter certeza que todos sabem qual o lado do seu cérebro deve ser operado – pode causar os maiores problemas. “Um paciente com a mais simples das necessidades precisa atravessar um sistema muito complicado através de muitas jogadas, posições e jogadores”, afirma o Dr. Donald Berwick, um pediatra e presidente do Instituto de Aperfeiçoamento de Cuidados da Saúde. “E à medida que a máquina torna-se mais complicada, existem mais peças a serem estragadas”.(Cont...)
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